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Apresentação Super Emeraude 60
Um aeromodelo com cara de aeromodelo e poderes hipnóticos
Álvaro Caropreso (*) Aeromodelo pode ter qualquer combinação de cor, desde que em vermelho e amarelo ou em azul e amarelo. Precisa também ter cara de aeromodelo, de preferência, lembrando os clássicos dos Anos Dourados da Aviação (décadas de 30 e 40). Essa foi a estética da minha infância, durante os primeiros anos no hobby. Talvez isso explique o flerte irresistível entre eu e o Super Emeraude tão logo nos vimos pela primeira vez. Ele, azul e amarelo, bonito e simpático, com um quê de enxerto entre o Fairchild PT-19 (de quem puxou traços da fuselagem) e o Piper Cub J-3, de onde parece terem vindo a asa, a empenagem horizontal e o capô do motor. Quando vi o modelo pela primeira vez, ele enfeitava o teto da loja Hobby Haus, em São Paulo. Tenho absoluta certeza de que esse avião fala e tem poderes hipnóticos: "Você vai me comprar!", disse ele. Não deu outra! O kit – O Super Emeraude é um asa baixa produzido pela chinesa Radar sob a forma de ARF (semipronto), para motores de ciclo de dois tempos (2T) com 0,61 pol3, ou equivalente de quatro tempos (4T). Ele vem em dois padrões de cor: a fuselagem é vermelha ou azul, mas a asa e a empenagem horizontal são sempre amarelas (mais precisamente o "yellow cub" do Piper J-3). Ao abrir a caixa, a primeira surpresa: os dois painéis da asa não precisam ser colados. Eles se juntam por meio de um tubo de alumínio (veja as fotos), de modo que, além de dispensar a mais crítica de todas as colagens num aeromodelo, podem ser separados para facilitar o transporte.
Outra maravilha: o grupo de cauda é auto-alinhável! A empenagem horizontal vem colada a um complemento da fuselagem no qual dois pinos de madeira e um parafuso asseguram o alinhamento e a fixação. Outra colagem dispensada! Só o leme necessita de cola, mas basta encaixá-lo numa ranhura e o alinhamento é automático. Oba!
As estruturas da asa e da fuselagem são de balsa e construídas como em um kit tradicional. O conjunto é revestido com plástico termoadesivo, muito bem aplicado. Uma baforada de ar quente (seja com heat gun ou um simples secador de cabelos) é o suficiente para eliminar rugas. Esse tipo de construção facilita muito os reparos quando necessários.
O trem de pouso convencional é composto por duas pernas de arame de aço, cada qual encaixada em uma trave de reforço entre duas nervuras da asa. Aqui está o único porém desse modelo: o arame é demasiado flexível. Mesmo pousando com suavidade, você é obrigado a desentortar as pernas do trem após cada vôo. De tanto entortar e desentortar os arames, os toquinhos de madeira dura nos quais ambas as pernas se encaixam acabam se descolando das nervuras. Eu precisei fazer uma microcirurgia na asa para recolar os tais toquinhos. Assim, evite o abacaxi substituindo os arames originais por um par feito de aço mais duro. O vôo – O Super Emeraude é uma "pêra doce", como dizem os portugueses. Com motor SuperTigre 61 ABC e hélice Bolly 12,5 X 6, o avião decola com um terço da potência máxima e se mantém em vôo com menos do que isso. A asa larga, de perfil semi-simétrico e com um considerável diedro, dá ao avião a estabilidade de um treinador em baixa velocidade. O estol é de nariz. Aliás, eu desativei a função flaperon depois de alguns vôos, pois o modelo praticamente se recusava a pousar se houvesse um ventinho alinhado com a pista. Ou seja, a velocidade de estol é baixíssima. Um novato pode usar esse avião como treinador, sem qualquer receio. O único cuidado consiste em ajustar os comandos do modo mais suave possível. Com muito comando, o Super Emeraude fica extremamente arisco – uma vantagem se você gosta de arrepiar os pêlos com um vôo mais acrobático. Embora o manual peça um motor .61-2T, eu tenho certeza de que esse avião é capaz de voar muito bem com um motor .46-2T ou mesmo um 4T na faixa de .50 a .70. Quando em potência máxima, o SuperTigre 61 puxa o Super Emeraude em ascendente vertical até se perder de vista. O diedro acentuado não ajuda no vôo em faca, mas também não atrapalha no dorso. Em resumo, a performance é bastante elástica: do vôo manso em escala ao quase frenético. Fica ao gosto do freguês! (*) Colaborou: Caio Caropreso
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